Este ano reiniciei com a produção de blog, pois este deve ser uma ferramenta que auxilie e colabore para a divulgação dos conteúdos ministrados, para produções textuais, dessa forma, acredito que os alunos possam interagir e expor e divulgar os trabalhos.
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Mais um ano se passa, mais três turmas que se formam, mais um trabalho concluido. Espero que vocês continuem blogando, através de suas postagens continuaremos conectados, pois é muito importante saber como vocês estão, o que fazem, fomos durante esses anos, professor/aluno, pai, mãe/filho(a), e acima de tudo amigos. Desejo a todos muito sucesso, amor e paz. Um grande beijo a todos, pois tenham a certeza que ficarão em minha memória e coração.
Escola de Educação Básica “Conselheiro Astrogildo Odon Aguiar”
Parecia um dia normal ma vida de Catharina, mas ela nem imaginava que uma simples noite de sábado poderia acabar com a sua vida. Catharina namorava com Kaique á 3 anos< e eles tinham praticamente a mesma idade, cada um morava com seus pais,mais eles ficavam o dia inteiro juntos. O amor que um sentia pelo outro era muito forte, eraum sentimento que só se fortalecia com o tempo. Kaique teve uma namorada antes antes de Catharina a Vaiôla mesmo tendo a deixado, ela não deixou de amo-lo e de lutar para que ficassem juntos. Ela era a única pedra no caminho dele, sempre tentando fazer com que se separassem, mais nunca tinha conseguido nada, ate um certo sábado anoite. Kaique tinha muitos amigos que sempre o convidavam, ele nunca aceitava pois estava namorando, como ainda era jovem sentia falta de sair e se divertir com os amigos. Então resolveu conversar com sua namorada, esperando que ela o entendesse e o deixasse sair um dia com os amigos. Catharina como o amava muito, apesar do ciumes, tinha confiança suficiente nele para deixa-lo ir. Eles resolveram sair em um sábado anoite, e foram em uma casa noturna. Kaique só não sabia que essa noite poderia mudar todo o seu futuro. Chegando la começou a beber com seus amigos, depois de ter bebido bastante avista Vaiôla que vai ao seu encontro:
-kaique você por aqui sem sua namorada quem diria!
Como já estava bêbado, não conseguia responder, e Vaiôla acabou o dominando e o levando para uma parte isolada onde não tinha ninguém. Ela tentou o agarrar mais ele resistiu e foi embora. No outro dia Kaique vai a casa de Catharina, chegando lá a encontra no quarto chorando e muito preocupado pergunta oque havia acontecido, e ela responde:
-Depois de tudo que vivemos juntos, mentiu esse tempo todo para mim, pensei que me amasse, pensei que significasse algo para você mais vi que não.
Confuso e sem entender nada pergunta:
-O que aconteceu? O que eu fiz?
Catharina já estava cansada de tanto que havia chorado, ela pega o celular e mostra uma mensagem que sua amiga lhe enviou, contando que Vaiôla estava espalhando para todos que tinha transado com Kaique a noite passada, Catharina pergunta se era verdade e ele responde:
-Não sei amor, estava bêbado realmente não me lembro!
Depois disso Catharina resolve se separar, mesmo o amando, ela era muito orgulhosa. Os dois sofreram muito com a separação. Mesmo não se lembrando de nada Kaique tinha certeza que não tinha a traído, mais não tinha como provar.
Com o passar do tempo cada um foi voltando a viver sua vida normalmente, apesar de todo o sofrimento por não estarem mais juntos. Catharina acaba arrumando um namorado para tentar esquece-lo de vez. Kaique já estava se sentindo mal a um tempo e resolveu ir ao médico, quando ele foi pegar seus exames teve uma grande surpresa, estava com leucemia em estado avançado. Como não queria que ninguém soubesse da sua doença resolveu se isolar e contou somente para os familiares e alguns amigos íntimos. Ele começou sua quimioterapia, mais mesmo assim não tinhamuitas chances de sobreviver. Os amigos deles se sentiram no dever der contar sobre a doença para Catharina, que ao saber fica completamente descontrolada e vai visita-lo. Chegando no hospital em que estava encontrou os pais de Kaique chorando muito, ele já havia morrido e nem tinha dado tempo de Catharina se despedir. No velório todos estavam muito emocionados, derre pente aparece Vaiôla que chama Catharina e fala:
-Minha consciência esta pesada demais preciso te contar a verdade, não aconteceu nada entre o Kaique e eu, ele realmente te amava.
Chocada Catharina não sabe o que dizer e vai para casa, um tempo depois ela começa a se perturbar e ter alucinações com Kaique. Toda noite enquanto dormia falava:
-Devia ter confiado nele, assim não teria morrido!
Mesmo sabendo que ele morreu por uma doença se culpava todos os dias de sua vida. Catharina começou a ficar doente e deprimida, não saia mais de casa, não fazia mais nada, suas alucinações só pioravam e ninguém sabia oque fazer para ajuda-da.
Domingo de manhã quando sua mãe entra em seu quarto a encontra morta, com os pulsos cortados e com uma carta sobre o seu corpo que dizia:
“Nada vai me separar do amor da minha vida, vou o encontrar e seremos felizes como antigamente, felizes como nunca deveríamos ter deixado se ser”
Mariana era uma menina desejada por todos os garotos da sua escola, menina de olhos verdes e cabelos longos e loiros, que só tinha olhos para seu namorado Felipe, também muito bonito que lutava jiu-jítsu e era respeitado por todos em sua escola.
Aos 15 anos, Mariana e Pedro que namoravam já há mais de um ano, o amor que eles sentiam era de tempos atrás, quando eles brincavam de carrinho e de boneca. Mas num certo momento, a mãe de Pedro, dona Maria, consegue um bom trabalho, só que para isso eles precisavam se mudar de cidade.
Um certo dia, dona Maria chama Pedro e lhe diz:
-Maria: Meu filho vamos ter que ir embora dessa cidade, pois arrumei um ótimo trabalho fora dessa cidade.
-Pedro: Mas minha mãe, como fica meu namoro com Mariana?
Sua mãe já não gostava muito do namoro de Pedro e Mariana, pois achava que ela tinha uma vida irregular.
-Maria: Pois termine com ela. Pois semana que vem estamos de viagem.
Pedro vai para seu quarto chorando, e passa a noite em claro pensando como seria sua vida sem Mariana. No dia seguinte ele vai à casa de Mariana e a chama. Mariana vem até a porta e pede para que ele entre. Pedro entra e começa a falar:
-Pedro: Mariana, minha mãe vai embora daqui, e está me obrigando a ir junto com ela.
-Mariana: Mas...Eu não consigo ficar sem você.
-Pedro: Eu também não consigo, mas vamos ter que aprender a viver um longe do outro.
Ele vira as costas e sai chorando, Mariana fica olhando Pedro ir embora e fica chorando loucamente por perder o grande amor de sua vida.
Pedro passa a semana triste sem ir para aula, sem sair de casa. Sua mãe arruma suas coisas e viajam para São Paulo sem se despedir de Mariana.
Mariana não consegue esquecer, passa meses e não consegue esquecer o carinho e o amor que Pedro a dava. Não suportando mais aquela dor e não podendo estar com pessoa que amava, ela começa entrar em depressão, começa a ter ilusões de Pedro, e a pensar que ele viria buscá-la
Para que vivessem juntos, ela a passa esse tempo todo em seu quarto, sem comer, beber, praticamente sem sua vida.
Em um dia ela resolve pegar um peça de roupa e um pouco de dinheiro e sair em meio ao nada, sem destino para onde ir, apenas com um propósito, encontrar Pedro, o grande amor de sua vida.
Todoestava calmo na cidade de Heliocity no interior do Brasil, a cidade recebeu este nome pois, fazia sol quase todos os dias do ano, menos em um período de algumas semanas no meio do inferno quando não a sol.
Em Heliocity morava um garoto de quatorze anos muito solitário chamado Jack , este garoto não tinha amigos. As crianças da escola sempre o ridicularizavam principalmente um grupo de valentões chamados Dylan,Kevin e Mark.
O clima da cidade tinha acabado de mudar Jack não aguentava mais as brincadeiras de mal gosto dos colegas quando sem nenhuma explicação ele manisfesta um desejo assassino.
Jack foi para a sala do zelador da escola e la ele pegou um machado, uma faca de pescador,um machado e no canto da sala ele viu uma espingarda e varias balas do lado. Seu rosto branco e sem expresso é preenchido com um sorriso frio e assustador visto apenas em um rosto antes no rosto de Miguel um cereal killer que viveu na cidade e foi morto no mesmo ano que Jack nasceu.
Jack ou melhor Miguel saio da sala do zelador sem outros pensamentos se não um vingança.
Miguel pega a sua espingarda e começa a atirar contra seus colegas e professores, o primeiro a ser morto e um dos seus professores com um tiro no meio da testa. O sangue do professor voa para todo lado por um segundo só a silencio no outro a panico,medo e desespero. As crianças correm apavoradas enquanto entre o intervalo decarregar a arma e atirar um por um as pessoas vão sendo atingidasvão morrendo.
No fundo do senário de medo Miguel vê seus três alvos principais Dylan, Kevin e Mark que se separam. Kevin e Markvão para a esquerda e Dylan para a direita. Miguel corre atras de Kevin e Mark ,quando os encurrala ele pega seu martelo e num golpe quebra a perna de mark, quando ele esta caído o golpeia quatorze vezes na cabeça, assim consegue sua primeira vingança.
Neste momento entra na escola um homem de casaco preto, com uma espada de prata com um crucifico no pescoço e parecia saber o que acontecia na escola. Ele pula o muro da escola e vai direto para a sala em que Miguel esta. Quando entra na sala Miguel já tinha conseguido sua segundavingança, com sua faca de pescador havia perfurado o inicio da coluna vertebral de Kevin bem no osso conhecido com Atlas e num movimento de torção mata Kevin.
Miguel volta sua atenção para o homem
-Como é bom vê-lo de novo Michael, ainda vivo depois de quatorze anos.
-Vivo e pronto para mata-lo novamente.
De repente Miguel vê fora da janela Dylan que parecia estar perdido. Miguel pula a janela num movimento que surpreendeu ate mesmo Michael. Ele pegou seu machado e num movimento faz um golpe certeiro acerta o pescoço de Dylan.
O corpo de Dylan ainda quente cai no chão, pela janela Michael empunhando sua espada tenta acertar Miguel mas ele se defende com o machado Michael surpresos diz:
-Você já causou muito sofrimento a esta cidade irmão. Por que renasceu? Por que tomou o corpo desta criança e o transformou no seu?
-Porque este foi meu trato com quem possibilitou minha volta o próprio Lúcifer. Infelizmente só posso transformar a Jack em mim no período sem sol.
-Por que no período sem sol?-perguntou Michael
-Porque eu matei neste período da primeira vez,da segundanão pode ser diferente .
Michael que ouviu atentamente o atacou, mas Miguelse defendeu. Eles ficaram lutando por vários minutos ate que Michael fez um feitiço que trouxe as almas daqueles que Miguel tinhamatado. As almas retiraram o espirito de Miguel de dentro de Jack e num ultimo movimentoMichael manda Miguel de volta para o inferno.
Após Miguel voltar para o inferno Jack voltou a ser Jack ,então Michael explica tudo o que Miguel falou para ele:quando Jack nasceu Miguel coma ajuda de Lúcifer se libertou do inferno e entrou no corpo de Jack e se não fosse detido Jack se transformaria em Miguel para sempre. Disse quando Miguel volta-se caberia a ele detê-lo. Ao pronunciar essas palavras entrega a espada que usou para mandar Miguel para o inferno e cai morto no chão, seu coração não aguentou a batalha.
Jack sabendo o que aconteceu e que seria culpado pelo incidente saio do lugar com o conhecimento de que seria o próximo vingador.
Escola de Educação Básica “Conselheiro Astrogildo Odon Aguiar”
Noite de natal, famílias reunidas, ruas enfeitadas, casas iluminadas, e eu aqui na rua fria somente com os bonecos de papai noel e os mendigos. Uma leve brisa, chove, e o asfalto está encharcado, poucos carros, a rua está quase deserta. Tenho família, amigos, pessoas que me amam, mas porque se reunir hoje? para mim é um dia como qualquer outro. Nascimento de Jesus Cristo? Não, 25 de dezembro era um dia de comemoração aos deuses ligados ao sol, festas de religiões pagãs, por causa do solstício de inverno, na verdade segundo a bíblia Jesus não nasceu no inverno, os religiosos simplesmente roubaram os “direitos autorais” dessa data, sim roubaram.
Algumas pessoas me chamam de louca quando digo que o natal é um dia dedicado ao comercio e não ao seu “real” significado, as pessoas falam que o natal é um dia para caridade, de fazer coisas boas, hipócritas. Prefiro ser chamada de louca, do que ser como os verdadeiros loucos que saem por aí fazendo compras como se a fatura do cartão de crédito no fim do mês não existisse.
Caridade, onde? Quando? Como? São essas as perguntas que me faço.
Talvez seja hipocrisia da minha parte, ou loucura mesmo, já não sei o que é certo e o que é errado, o que é real e o que não é. Louca e anti-social, é assim que me definem, mas eu falo a realidade, a hipocrisia humana é algo inevitável. Enquanto pessoas morrem de fome, eles se fartam na ceia de natal, e ainda reclamam, estão em suas casas aconchegantes enquanto os mendigos que agora me fazem companhia passam frio, fome e enquanto alguns ganham lindos presentes embrulhados em papéis bonitos outros ganham um tiro e a morte como presente.
Vivemos num mundo capitalista, onde o dinheiro é quem rege as regras, uma constante disputa para ver quem consome mais.
Me perco em meus pensamentos, nem tinha percebido que já estava perto do prédio em que moro, la as coisas são diferentes, somente eu e um bom livro,passando pelo porteiro um boa noite, esperando que para ele seja uma boa noite mesmo, porque para mim é como outra qualquer. Chegando em casa, escuto apenas o barulho da TV, havia esquecido ligada, um ar úmido toma conta da casa, talvez por causa da chuva,as luzes apagadas, porém o lugar estava iluminado com as luzes coloridas que vinham de dentro da televisão. Ainda não satisfeita com aquele dia, na verdade insatisfeita com todos os dias da humanidade, dias em que a crueldade e a malícia tomaram conta do mundo, revolta e insatisfação é isso que me descreve, não sou louca, sou uma inconformada assim como tantos outros.
Semanas atras soube de um assassinato que aconteceu à algumas quadras da minha casa, um homem matou uma senhora para roubar sua carteira, uma vida por alguns trocados, não só uma vida mas o sofrimento da família e amigos. O ser humano é o único animal que mata por prazer, que ajuda o outro por interesse, espera algo em troca por cumprir com suas obrigações. Sem contar o aquecimento global, o “fim dos tempos”, ainda há uma esperança para o mundo, o fim da raça humana seria uma bela ajuda.
Já faz um bom tempo que penso nisso, a única esperança do planeta é o fim da raça humana, convenhamos o planeta não é dos homens, tudo o que fazemos é poluir, gastar, consumir em excesso, e ainda reclamar de tudo o que nos é concedido. Essa é a única saída, o fim da humanidade, consequentemente o fim da maldade e da hipocrisia, morte. A começar por mim.
Estou publicando os melhores contos produzidos pelos alunos do 2o. anos.
413
Por: Maria Crolina Ulrich
2º 01
Escola de Educação Básica Conselheiro Astrogildo Odon Aguiar
Entrou no novo apartamento, respirou o cheiro característico que locais fechados têm e resolveu na mesma hora que deveria fazer uma limpeza geral, ignorou os pedidos da amiga para fazer isso mais tarde, foi logo retirando os produtos de limpeza de dentro de uma das inúmeras caixas espalhadas pela sala.
Luci sempre tivera várias manias, a de limpeza era apenas uma delas. Era uma jovem muito ativa, tinha olhos tempestuosos que estavam sempre a procurar defeitos em pessoas ou lugares, para ela tudo sempre deveria estar no lugar, inclusive ela mesma, por isso seu cabelo escuro deveria estar sempre bem penteado e amarrado, suas roupas muito bem passadas. Se fosse possívek descreve-la em uma palavra esta seria ordem.
Depois que iniciou a arrumação só foi parar quando tudo estava organizado. Sempre morara com os pais, mas recebeu uma ótima proposta de emprego e acabou se mudando quando assinou o contrato.
Na segunda-feira seguinte a mudança, Luci deu início em seu novo trabalho como engenheira em uma grande empresa, passou a trabalhar oito horas por dia incluindo sábados, o que a deixou sem tempo para sair com os amigos.
– Desculpe, mas vou ter que deixar passar essa –era a resposta dela para os convites que lhe faziam.
Com o passar de algum tempo Luci começou a reclamar com sua melhor amiga acerca dos barulhos vindos do apartamento vizinho ao dela.
– Eu não aguento mais, Frida. É a mesma coisa toda noite, assim que eu chego elescomeçam a fazer barulho – contava aflita.
-Você deveria reclamar com o síndico.
– Não quero criar intrigas, sou moradora nova e isso só traria uma reputação de “chata do prédio”.
– Então não reclame para mim também – riu Frida.
Muito diferente de Luci, Frida era serena e tinha feições alegres, sempre falando com todos e vendo o melhor das pessoas, usava roupas coloridas que refletiam seu jeito de viver animado, iria ser modelo por ser muito alta e bonita, mas acabou optando por fazer a mesma faculdade que a amiga fez.
*
Meses mais tarde as reclamações de Luci só haviam aumentado e Frida já não sabia mais o que dizer para a amiga. No trabalho Luci tinha dificuldades em mantes seu rendimento já que não conseguia dormir diretio devido aos ruídos provenientes do apartamento ao lado.
As vezes Luci levantava no meio da noite após desistir de tentar descansar e ia limpar a casa, só que toda essa dedicação com a limpeza do apartamento deixava sua amiga aflita.
– Luci você tem que para com isso e falar com seus vizinhos.
– Já tentei, mas nunca encontro eles em casa, toda vez que eu vou ali a porta está fechada e eles só chegam de noite, até mesmo as crianças ficam fora de casa até tarde.
– Isso é impossível – desconfiou Frida –, nem durante os finais de semana eles ficam aqui?
– É, sei que isso é estranho mas... – Luci olhou para as paredes por alguns segundos e logo mudou de assunto. – Então, você vem dormir aqui hoje?
– Ah, não. Quem sabe na semana que vem.
Era a quarta vez que Frida recusava esse pedido de Luci, afinal a mais alta também trabalhava bastante e não podia passar a noite fora de casa.
Quando finalmente Frida aceitou dormir na casa da amiga correu tudo bem, até a hora em que elas foram se deitar.
– Ouviu isso? – Perguntou Luci – Ouviu?
– Não, o que?
– Acho que eles chegaram.
– Eles quem?
– Meus vizinhos barulhentos.
– Mas Luci, eu não estou ouvindo nada – disse Frida encostando a orelha na parede tentando escutar algo.
A amiga ainda tentou convencer a outra de que não havia nenhum ruído vindo do outro lado, mas foi frustrada pelas reclamações incessantes de Luci que estava relutante e continuava afirmando veementemente que escutava vozes vindas do outro apartamento.
Assim que acordou no outro dia Frida não esperou Luci levantar e saiu para procurar o síndico do prédio. Encontrou-o no balcão da portaria conversando com outros moradores que ficaram ali enquanto Frida questionava sobre os que moravam no apartamento ao lado do de Luci, seu número era 413.
– 413? – Questionou o homem com uma sobrancelha arqueada.
– Isso mesmo, minha amiga vem tendo problemas com as pessoas que moram lá. Parece que eles fazem muito barulho, mas ela não conseguiu falar com eles porque eles só chegam em casa de noite.
A jovem esperou uma resposta que não veio, ao invéz disso recebeu olhares desconfiados e de espanto.
– O que eu falei de errado?
– Minha queida você esta se sentindo bem? – Perguntou uma mulher que estava ali.
Frida meneou a cabeça confusa.
– É que... – Começou o síndico sério – o apartamento 413 está vazio faz dez anos.
***
Na placa lia-se “Casa de Repouso”, mas Luci sabia que aquilo era uma clínica para pessoas com problemas mentais. Dois homens vestidos com roupas brancas tiraram-na do carro em que ela estava e a levaram para dentro do lugar que era extremamente organizado, o que deixou Luci feliz, mas assim que ela percebeu que estava sendo direcionada para uma ala psiqiátrica começou a ficar apavorada.
– Eu não sou louca –gritava –Eles estão lá, toda noite eu os escuto, vocês não podem me prender aqui, eu tenho que trabalhar amanhã cedo.
Entre si os funcionários comentavam:
–Essa ai ficou doida de tanto trabalhar, só pode.
A morena havia sido levada para esse lugar após sua amiga Frida descobrir que o apartamento ao lado não estava habitado por ninguém e as vozes que Luci ouvia estavam apenas em sua cabeça. Ela foi diagnosticada como esquizofrenica.
***
Meses depois que Luci foi internada na clínica, Frida decidiu ir visitar um outro amigo que havia acabado de mudar-se para o antigo apartamento da amiga louca.
Ao chegar lá Frida surpreendeu-se quando descobriu que Miguel (esse era o nome do amigo) também reclamava de ouvir vozes e barulhos vindos da parede ao lado.
O contato com o mundo mágico das histórias e com o suporte tecnológico faz-nos sorrir, gargalhar, entristecer, chorar, calar, nos torna cúmplice do escritor, faz-nos suscitar o imaginário, descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outro olhar. Essas sensações são únicas e totalizantes, essa volúpia de ler e recriar que a literatura provoca faz-nos navegar e transpor para realidade aquelas palavras em negro, armazenada nos livros.
Os contadores de histórias nos meios estudantis vêm recriando, transpondo para a realidade: contos, poesias, crônicas, etc., utilizando-se da performance vocal e corporal. Segundo Zumthor “a voz é querer dizer e vontade de existência, lugar de uma ausência que, nela, se transforma em presença; ela modula os influxos cósmicos que nos atravessam e capta seus sinais: ressonância infinita que faz cantar toda matéria (...) como o atestam tantas lendas sobre plantas e pedras enfeitiçadas que, um dia, foram dóceis”.[1]
A linguagem oral possui recursos que a linguagem escrita não apresenta, como a entonação e o ritmo. Quando nos expressamos oralmente podemos utilizar gestos e expressões fisionômicas, recursos da linguagem não verbal, nesse sentido a linguagem oral é mais rica, pois conta com muitos mais recursos que a linguagem escrita, os quais reforçam o significado da mensagem.
A mensagem quando transmitida oralmente é compreendida na medida em que se desenvolve; a oralidade interioriza a voz e se expande num espaço efêmero. A escrita também se desenvolve num determinado espaço, mas esta é a superfície de uma folha plana ou de um écran. Mesmo a folha plana oferece uma dinamicidade e um movimento, tudo dependendo das construções narrativas, de seus procedimentos.Mallarmé, com Un coup dés deux inaugurou a escrita fluida, o texto dinâmico, ao traçá-lo como uma partitura musical. Com o suporte eletrônico, especificamente o hipertexto, concretiza-se muitas das experiências estéticas que buscavam organizar um jogo tipográfico, como fizeram Júlio Cortázar, Italo Calvino e Milorád Pavitch. Essa mobilidade aspirada é o cerne da linguagem oral, ela sempre é uma obra inacabada, “aberta” e “em movimento”. Ela depende da memória para sobreviver e se proliferar. Como declara Eco:
A obra em movimento, em suma, é possibilidade de uma multiplicidade de intervenções pessoais, mas não é convite amorfo à intervenção indiscriminada: é o convite não necessário nem unívoco à intervenção orientada, a nos inserirmos livremente num mundo que, contudo, é sempre aquele desejado pelo autor.[1]
E a obra aberta põe em xeque os valores “clássicos” de que o livro é um artefato “acabado” e “definido”, propondo uma obra plurívoca, “feixe de possibilidades móveis e intercambiáveis mais adaptadas às condições nas quais o homem moderno desenvolve suas ações ”.[1] Os valores ligados à existência biológica da voz nos transportam para uma obra aberta e em movimento, que nos remetem a ricas conotações ambíguas, às vezes contraditórias, mas que fogem a uma única interpretação.
[1] ECO, Umberto. Obra Aberta – forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. Tradução de Giovanni Cutolo. 8a.ed.São Paulo. Editora Perspectiva , 1997. 279p.
A obra literária é um objeto vivo, resultado das relações dinâmicas entre escritor, público e sociedade. E, como outras obras de arte, ela não só nasce vinculada a certa realidade, mas também pode interferir nessa realidade, auxiliando no processo de transformação social.Por vezes, a literatura assume formas de denúncia social, de crítica à realidade circundante. Dizemos, então, que se trata de uma literatura engajada, que serve a uma causa político-ideológica ou a uma luta social. Observe-se como Drummond capta o clima de medo que existiu durante a Segunda Guerra Mundial no poema Congresso internacional do medo:
Provisoriamente não cantaremos o amor
Que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
Não cantaremos o ódio porque esse não existe,
Existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, [...]
A literatura eimaginação: como transcriação da realidade, a literatura não precisa necessariamente estar presa a ela. Tanto o escritor quanto o leitor fazem uso da imaginação: o artista recria livremente a realidade, assim como o leitor recria, dialoga livremente o texto literário que lê.
Bakhtin, em sua obra Problemas da poética de Dostoievski, debate opiniões de polifonia, dialogismo, carnavalização, entre outras. Para o autor o dialogismo está recente na própria comunicação, é intrínseco à linguagem e se tenta na afinidade entre o eu e o outro, entre o indivíduo e o mundo, entre o indivíduo e a sua cultura:
(...) a palavra não é um objeto, mas um meio constantemente vivo, constantemente mutável de comunicação dialógica. Ela nunca basta a uma consciência, a uma voz. Sua vida está na passagem de boca em boca, de um contexto para outro, de um grupo social para outro, de uma geração para outra.(...) um membro de um grupo falante nunca encontra previamente a palavra como uma palavra neutra da língua, insenta das aspirações e avaliações de outros ou despovoada das vozes dos outros. Absolutamente. A palavra, ele a recebe da voz de outro e repleta de voz de outro.[1]
A palavra é o resultado de muitas vozes da cultura que se misturam, entrecruzam e se decifram. Uma cultura que se edifica no diálogo entre outras culturas, que se recompõe e se transforma a partir desse diálogo, respeitando as especificidades.
Modernamente, os escritores e os críticos literários têm insistido bastante na abertura da obra literária, isto é, nas várias possibilidades de leitura que um texto literário pode oferecer. O leitor, ao invés de ser considerado alguém que tem uma postura passiva, que simplesmente recebe o texto, tem sido visto como participante, porque também usa a imaginação para ler o texto e, dessa forma, recria-o.
Para os gregos, a arte tinha uma função hedonística, isto é, devia causar prazer, retratando o belo. E, para eles, o belo na arte consistia em a obra assemelhar-se à verdade ou à natureza.
Atualmente, esses conceitos desapareceram, mas a arte ainda cumpre o papel de proporcionar prazer. A literatura, jogando com palavras, ritmos, sons e imagens e conduzindo o leitor a mundos imaginários, causa prazer aos sentidos e à sensibilidade do homem, possui art&manhas que nos conduzem a múltiplos universos. Portanto, ensinar literatura implica reconhecer a dimensão plurissignificativa de sua linguagem, além de conhecer alguns de seus conceitos fundamentais.
[1] BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoievski. Tradução: Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997, p. 203.
Maria Lindamir de Aguiar Barros. Mestre em Literatura pela UFSC
Resumo: Este trabalho tem como objetivo mostrar a importância da arte da palavra. Mas o que se entende por arte? Seria somente a habilidade de criação? Sendo a literatura a arte da palavra e a palavra a unidade básica da língua, podemos dizer que a literatura, assim como a língua que ela utiliza, é um instrumento de comunicação e de interação social e, por isso, cumpre também o papel social de transmitir os conhecimentos e a cultura de uma comunidade. Assim, a obra literária é um objeto vivo, resultado das relações dinâmicas entre escritor, público e sociedade. E, como outras obras de arte, ela não só nasce vinculada a certa realidade, mas também pode interferir nessa realidade, auxiliando no processo de transformação social. Contando e encantando é um projeto que propõe a implantação de um Grupo de Pesquisa Interdisciplinar, destinado a investigações nas áreas da Educação, Tecnologia, Literatura e Arte.
Palavras-chaves: literatura, arte, contar, educar.
A palavra serve para comunicar. Mas também serve para produzir efeitos estéticos, isto é, para criar arte. Mas o que se entende por arte? Seria somente a habilidade de criação? Para Marcel Proust[1] a arte é a única maneira de sairmos de dentro de nós, de conhecermos o olhar de outra pessoa num universo do nosso. É graças à arte, que temos habilidade para enxergar outros universos diversificados. Não importa o século, a arte surge para estabelecer um diálogo com a vida, nos ajuda a escutar e vivenciar os diferentes universos, são leis invisíveis que tecem a vida do ser humano. Para Blanchot (1987 p.219) A arte se revela com maior evidência na literatura que, pela cultura e pelas formas lingüísticas, abre-se prontamente ao desenvolvimento da ação histórica, esse desnorteamento que a faz buscar-se na consagração dos valores que só podem subordiná-la, desvenda o embaraço do artista num mundo em que ele se vê injustificado. Mas, então o que é literatura? Para Sartre: A “verdadeira”e “pura”literatura: uma subjetividade que se entrega sob a aparência de objetividade, de um discurso tão curiosamente engendrado que equivale o silêncio; um pensamento que se contesta a si mesmo, uma Razão que é apenas a máscara da loucura, um Eterno que dá a entender que é apenas um momento de História, um momento histórico que, pelos aspectos ocultos que revela, remete de súbito ao homem eterno; um perpétuo ensinamento, mas que se dá contra a vontade expressa daqueles que ensinam.[1] De forma simplificada, pode-se dizer que literatura é a arte da palavra? Carlos Drummond de Andrade diz, em um de seus poemas: “Penetra surdamente no reino das
[1] PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido. P. 4
palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos.”
Como qualquer arte, a literatura exige, da parte do escritor, técnicas, conhecimentos, sensibilidade e paciência. Esse trabalho às vezes se assemelha a uma luta, às vezes, a um vício, observa-se como Drummond se refere à palavra:
Lutar com palavras
É a luta mais vã.
Entanto lutamos
Mal rompe a manhã.
[...]
Palavra, palavra
(digo exasperado)
Se me desafias,
Aceito o combate.
Sendo a literatura a arte da palavra e a palavra a unidade básica da língua, podemos dizer que a literatura, assim como a língua que ela utiliza, é um instrumento de comunicação e de interação social e, por isso, cumpre também o papel social de transmitir os conhecimentos e a cultura de uma comunidade.
[1] SARTRE, Jean-Paul. Que é a Literatura? Tradução: Carlos Felipe Moisés. 2a. ed. São Paulo: Ática, 1993. p. 28
Fernando Pessoa. Obra poética. Rio de Janeiro: nova Aguillar, 1977. pp. 188 – 9
Neste poema nota-se a genialidade de Pessoa, que vem nos mostrar a oposição entre o dever e o prazer (antítese). Declaradamente a favor do prazer, enaltece os encantos do mundo natural, contrapondo-se à artificialidade da literatura.
Contraditoriamente, porém, declara sua preferência pela natureza por meio de um poema que, certamente, fará parte de um livro que será lido por alguém, em algum dia – por prazer e não por obrigação.
Percebe-se que o autor demonstra LIBERDADE também na distribuição das rimas, que são irregulares.
Este ensaio busca levantar algumas reflexões sobre as metamorfoses por que passa a poesia, seja na individualidade ou no coletivo das pessoas. Desta forma, faz-se necessário um mapeamento na Internet sobre a poesia digital, descrevendo e analisando os sites, pois quando esta é conduzida por uma nova mídia, o vídeo que tem como suporte a animação computadorizada, pode estar ligada a tendências vanguardianas.
A reformatação da poesia digital procura manter o imaginário, o mágico-fantástico que pode ser compartilhado por seus tradicionais produtores e consumidores. Essas mudanças tecnológicas reaproximam a nova forma artística, não altera a estrutura rítmica. Questiona-se se estamos diante de uma nova formatação, de uma nova arte ou se estamos diante de uma obra com tendências vanguardistas? Para Alai G. Diniz “...o que faz de uma obra de arte, uma obra vanguardista não é o fato de ter nascido num momento fecundo do período entre guerras em que a arte se fragmentava em inúmeras correntes com propostas, as mais iconoclastas possíveis, trincando o vidro do intimismo burguês e desacreditando da visão de totalidade na relação entre a realidade e a representação através da arte. Tampouco a convivência do artista com a boemia intelectual de seu país que converte um texto em uma obra de ruptura...” [i] Mas então surge algumas reflexões acercados grandes poetas e escritores, comopor exemplo, Dante Alighieri e Camões, não foram contemporâneos em sua época? O que decide a obra ou o autor deve ser datado e temporal? Haroldo de Campos diz que “...só é contemporâneo o homem que se situa no âmbito de um sistema informativo proporcionado, ao tempo em que vive...”[ii]Certamente que se falássemos de movimentos artísticos para uma sociedade sem muita informação, estaríamos falando de algo estranho,mas perceberíamos que ao seu tempo prezam pela sua cultura, logo são contemporâneos.
[i] DINIZ, Alai Garcia. Triscando Trilce. Artigo apresentado a conclusão de curso sobre Vanguardas Latino-Americanas. USP, 1992. p. 01
[ii] CAMPOS, Haroldo. Teoria da poesia concreta. Textos críticos e manifestos 1950-1960. São Paulo: livraria duas cidades, 1975. p.151